Teorias Sobre Nós; Lançamento do romance de Hamilton Borges

O Teorias Sobre Nós é um ciclo de debates literários sobre a literatura preta de combate em consonância com a luta negra no Brasil.

É realizado geralmente em Salvador - Ba, na Escola Winnie Mandela, núcleo de educação da Organização Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto. Sempre uma vez ao mês com um tema específico e homenageada(o), além da participação e rotatividade de debatedoras e debatedores diferentes com formação e experiência nos temas abordados.

Em dezembro, em edição itinerante que já passou inclusive por Moçambique, o Teorias Sobre Nós chega em Porto Alegre - RS com o tema Literatura, Poder e Conjuntura Política Preta no Brasil (com qual raiva você dança?), contando com a presença de Hamilton Borges, militante da Reaja e escritor.

Haverá ainda o lançamento do romance de Hamilton, O Livro Preto de Ariel.

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Livro “Preto de Ariel” tem lançamento dia 19 de dezembro de 2019 em Porto Alegre
Romance fala sobre situação colonial de violência e brutalidade das prisões e polícias baianas
Hamilton Borges, conhecido militante contra o genocídio e o encarceramento em massa do povo preto e também escritor dos livros “Teoria Geral do Fracasso” e “Salvador, cidade túmulo”, lança seu primeiro romance “ Livro Preto de Ariel”, dia 19/12, às 19h, no Ponto de Cultura Áfricanamente.
A narrativa é ambientada na Salvador contemporânea, mais precisamente entre o bairro Nordeste de Amaralina (orla de Salvador), a Penitenciária Lemos Brito (no bairro Mata Escura) e o Presídio de Serrinha, distante 175 km da capital baiana. Nas escritas, transitam as populações pretas, vivenciando o racismo e construindo coletivamente práticas de denúncia e enfretamento a violência racial perpetrada historicamente neste país pelo estado.
Romance político, o texto relata episódios reais de violência policial, encarceramento, invasão militar num aglomerado de favelas em Salvador. O livro é uma fabulação baseada em fatos e relata episódios como a chacina do Cabula, bairro populoso próximo a Mata Escura, e a organização de mulheres pretas frente ao sistema de justiça da Bahia.
Baiano, nascido e criado na Rua do Curuzu, 294, na Liberdade, em Salvador, atualmente Hamilton vive no Engenho Velho de Brotas. Idealizou e integra a organização política “Reaja ou será mort@” e atua na Escola Pan-africanista Winnie Mandela. Coordena o Projeto Cultura Intramuros na Penitenciária Lemos Brito onde desenvolve ações de política cultural e luta por direitos de prisioneiros e prisioneiras.
Para Silvio Oliveira, professor adjunto da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e prefaciador do livro, a história narrada por Hamilton Borges situa-se entre uma história de guerra, entrelaçada por experiências de amor e afeto. “Para este leitor, Ariel, o personagem protagonista do romance, desafia o destino nefasto exatamente por contradizer o princípio da tragédia ocidental. O herói se desconstrói em si mesmo, não há tempo para compaixão e temor, não há tempo para piedade e perdão, pois não há justiça na desordem, não há destino irremediável como punição, mas há tempo pro amor. É a filosofia de Ariel”, revelou Silvio.
Dra. Andrea Beatriz, do Comando Vital da Reaja e também quem apresenta o livro, vislumbra na obra seu potencial para problematizar a superação do racismo anti-negro e combater o genocídio do povo negro. Ela diz: “Para Borges, a ficção está centrada na realidade. Apresenta a leitura como fuga e a escrita como caminho de resistência no universo de dor onde se busca o amor como forma de existência”.
A Coordenadora da Escola Winnie Madela, Matheuzza Xavier, que assina a orelha do livro, nomeia o romance como “dossiê literário de denúncia sobre a situação colonial de violência e brutalidade das prisões e polícias baianas” e localiza Ariel entre os personagens heroicos que transformam o tormento e a desgraça em luta vigorosa. “É uma escrita banhada por um erotismo sensual e elegante, permeada por personagens coadjuvantes, tão protagonistas quanto ele”, acrescentou.
O Livro “Preto de Ariel” tem 260 páginas; é publicado pela Editora Reaja. Nele, dois artistas ilustram as páginas do livro, buscando traduzir em imagens a narrativa forte de Hamilton Borges, usando da técnica do nanquim. São eles Alan Sampaio e Joel Correia. E no time ainda temos a doutora Luciana Moreno, professora adjunta da UNEB e Coordenadora do GELPs, fazendo a revisão da obra. Além da capital baiana, o livro terá lançamento também em várias capitais do país, a exemplo do Rio de Janeiro; Belo Horizonte , São Paulo e Vitória do Espirito Santo.

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Debatedores(as):

Hamilton Borges:
Nasceu e se criou na Rua do Curuzu, Liberdade, Salvador e, atualmente, vive no Engenho Velho de Brotas. Afirma que seu conhecimento vem dos movimentos de luta preta e do convívio afetivo com as mulheres de sua família, especialmente sua avó paterna. Idealizou e integra a organização política “Reaja ou será mort@” e atua na Escola Pan-africanista Winnie Mandela. Coordena o Projeto Cultura Intramuros na Penitenciária Lemos Brito onde desenvolve ações de política cultural e luta por direitos de prisioneiros e prisioneiras. Publicou, pela Editora Reaja, em 2017, “Teoria Geral do Fracasso”, livro de poemas e em 2018, “Salvador, cidade túmulo”, livro de contos, que foi traduzido e lançado na Califórnia e em Washington nos Estados Unidos da América. Participou de algumas antologias, a exemplo da “Negrafias: literatura e identidade”, publicada pela Ciclo Contínuo e, desde os anos 90, divulga sua produção literária pelas redes sociais/ internet. Se filia a uma literatura quilombista, preta de combate. Nos anos 80, criou o grupo de intervenção poética “Os Maloqueiros”. Hamilton Borges, raspado e pintado para Ogum, não teme a guerra.

Guto Obafemi
Mestre de Capoeira Angola, licenciado em educação física, militante do movimento negro, integrante do colegiado de Culturas populares do RS, omó orixá do Ilê axé Yemanjá Omi Olodô, membro do Conselho Gestor da Salvaguarda da Capoeira Gaúcha, presidente da Africanamente Centro de Pesquisas de tradições Afrodescendentes e coordenador do Ponto de Cultura Espaço Escola Africanamente.

Helena Soares Meireles
Mulher negra, transexual...praticante de religião de matriz africana. De Oxum e muito bem cuidada por Oxalá. Filha de Maria Aparecida e Dario; Neta de Erondina, Nilza, Adão e Sady. Arte-educadora, formada pela UFRGS e com graduações incompletas em Gravura ( UFRGS ) e Moda ( UCS ). Promotora de Saúde da População Negra. Uma das criadoras do Coletivo Quilombelas; afroempreendedora e idealizadora da marca OKÃ acessórios.

Andressa Moraes
Formanda em Psicologia.

Onir Araújo
Membro da Frente Quilombola RS e da OLPN , advogado com atuação prioritária na defesa da titulação dos Territórios Quilombolas.

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Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto

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