Online | Gpep 46: O que nos divide, o que nos cerca

Online | Gpep 46: O que nos divide, o que nos cerca

AVISO: Devido à necessidade de minimizar reuniões de pessoas causada pelos riscos apresentados pelo Corona Vírus o encontro do GPEP foi adiado para a semana que vem e será ONLINE. Postaremos aqui no evento como acessar o encontro

Neste 46º encontro, o GPEP segue estabelecendo os planejamentos de pesquisa para o próximo ano a partir dos acontecimentos ecológicos que surgem aos nossos ouvidos. As últimas reuniões se debruçaram sobre as diferentes ressonâncias dos conceitos de terra e de fronteira. Estes foram atravessados pela discussão sobre uma disseminação e um contágio que exigem políticas de biossegurança e controle dos corpos através de perspectivas norteadas por marcadores étnicos, sociais e ontológicos de uma maneira geral.

Os encontros do GPEP são abertos, gratuitos e sem pré-requisitos.
Se quiser apoiar essa iniciativa, clique em apoia.se/apph

O título deste evento se inspira no poema Autotomia, de Wisława Szymborska:

Em perigo, a holotúria se divide em duas:
com uma metade se entrega à voracidade do mundo,
com a outra foge.

Desintegra-se violentamente em ruína e salvação,
em multa e prémio, no que foi e no que será.

No meio do corpo da holotúria se abre um abismo
com duas margens subitamente estranhas.

Em uma margem a morte, na outra a vida.
Aqui o desespero, lá o alento.

Se existe uma balança, os pratos não oscilam.
Se existe justiça, é esta.

Morrer só o necessário, sem exceder a medida.
Regenerar quanto for preciso da parte que já restou.

Também nós, é verdade, sabemos nos dividir.
Mas somente em corpo e sussurro interrompido.
Em corpo e poesia.

De um lado a garganta, do outro o riso,
leve, logo sufocado.

Aqui o coração pesado, lá non omnis moriar,
três palavrinhas apenas como três penas em voo.

O abismo não nos divide.
O abismo nos circunda.
Pegue um convite