Minicurso Alteridade violência e diferença

Apresentação: Sobre não perder a guerra

Que tempo absolutamente pobre esse em que vivemos! Pobreza de vida e de pensamento por um lado e excesso de violência, ignorância e censura por outro. Se nas esferas mais altas do governo, há, escancaradamente, o objetivo de silenciar a produção de conhecimento e a cultura, especialmente quando se dedicam a problematizar as estruturas vigentes e respeitáveis, por outro lado, em nossos corpos, o sentido de urgência cria a falsa ilusão de que o pensamento não terá nada a nos dar neste momento. Um terreno posto para que, em muitos cantos, se desista do conhecimento, da arte, da cultura e da potência revolucionária dessas forças. Em muitos cantos, incluindo em nós mesmos. O pensamento e a arte, considerados como luxo em qualquer tempo, por pior que seja, é justamente uma declaração de que perdemos a guerra.

O Curso:

Uma das potências da filosofia de Nietzsche reside em sua insistência no fluxo e em sua negação da identidade. No aforismo 111 de A Gaia Ciência, ele aponta um mecanismo antigo que faz com que tudo o que é mutável nas coisas não seja visto nem sentido. Na pressa por sobreviver, os seres que não viam exatamente as diferenças e as mutabilidades tinham vantagem sobre aqueles que viam os fluxos e as singularidades. Nietzsche se coloca contra as perigosas heranças, nos convida ao caos que problematiza o mundo como nos é apresentado. E esse é o ponto de partida deste curso. Quais são as perigosas heranças? Do que não podemos ser herdeiros? Como subverter mecanismos que dissolvem diferenças em supostas identidades? Que organicidade de mundo nos é dada e para a qual devemos dizer não? Com o repertório a partir de uma introdução a alguns aspectos do pensamento de Nietzsche a partir de aforismos de A Gaia Ciência e de discursos de Assim Falava Zaratustra, mergulharemos em textos literários que levantam principalmente a questão da violência que emana da relação entre indivíduos que não se afetam com a existência daqueles que estão diante de si, que não enxergam ou sentem a diferença, julgando o mundo a partir de seu repertório moral e cultural estático. Quais são as repercussões éticas disso? Qual é a potência da literatura para configurar formas outras de se afetar para além das nossas crenças, dos nossos repertórios culturais, dos valores morais que assimilamos? Alguns escritos de Suelly Rolnik e de Judith Butler também entrarão na roda da discussão.


TEXTOS LITERÁRIOS:
* Todos os textos (incluindo os trechos de Nietzsche) serão fornecidos por via impressa e digital no primeiro dia de curso.

> Angústia: a quem confiar minha tristeza – Tchekhóv (Conto)
> Pai contra Mãe – Machado de Assis (Conto)
> Um trecho de Mrs Dalloway – Virgínia Woolf (Romance)
> Um trecho de O Primeiro Homem – Albert Camus (Romance)
> Um trecho de O Filho de Mil Homens – Valter Hugo Mae (Romance)
> Amor – Clarice Lispector (Conto)
> Maria – Conceição Evaristo (Conto)
> Vestido Longo – Marcelino Freire (Conto)
> O Embondeiro que Sonhava Pássaros – Mia Couto (Conto)

Serão 4 encontros, nas terças e quintas, dias 12, 14, 19 e 21 de novembro. Sempre das 19h às 21h. Totalizando 8 horas com certificado de 12 horas para incluir tempo de leituras prévias.

VALOR:
> Estudantes: R$ 100
> Público em geral: R$ 160
> 3 VAGAS PARA BOLSISTAS. [Só mandar e-mail para tg.martins@gmail.com para anunciar que a situação tá foda e dizer porque quer fazer o curso].

INSCRIÇÕES:
https://www.sympla.com.br/alteridade-violencia-e-diferenca--literatura--filosofia-para-abracar-o-caos__688490

SOBRE O PROFESSOR:

Tiago Martins de Morais nasceu em 1985 e tem na literatura e na filosofia dois dos grandes amores da vida. Professor e aluno, pesquisador e escritor – é Mestre em Literatura Comparada e Licenciado em Letras pela UFRGS. Foi professor de literatura e, atualmente, é pesquisador de doutorado em educação pelo PPGEDU/UFRGS. A partir dos encontros entre filosofia e literatura, pensa/pesquisa/produz sobre as possibilidades de a literatura, no campo da educação, reorientar as formas com as quais temos lidado com a alteridade. Como escritor publicou: Poema Escuro (Selo Lápices, 2017) e A Última Noite do Tempo (Ufrgs Editora, 2013).


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