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EU QUERO MEU BLOCO NA RUA | o espaço público é nosso!

Ato pelo direito de uso do espaço público.
EU QUERO MEU BLOCO NA RUA!

15h panfletagem | 17h concentração | 18h ATO
Local: Em frente a prefeitura de Porto Alegre (Praça Montevidéu, 10 - Centro Histórico)

Com a nossa alegria e luta queremos reivindicar nosso direito à ocupação popular dos espaços públicos da cidade que nos tem sido negado, perseguido e criminalizado.

Leia abaixo, carta na íntegra que assinam os blocos: Ai Que Saudade do Meu Ex, Avisem a Shana Que Sábado Vai Chover, Axé Que Enfim, Bloco da Diversidade, Bloco da Laje, Maracatu Truvão, Não Mexe Comigo que Eu Não Ando Só, Nau da Liberdade, Turucutá, Ziriguidum - Batucada Social, Bloco Afro Odomodê e Liga dos Blocos Descentralizados composta por: Bloco do Guerreiro, Banda do Bolinha, Afro - Tchê, Bloco Amigos da Saúde,Bloco Mulheres do Fim do Mundo, Bloco Eu Ia No Evolução, Bloco JB, Bloco da Praça, Bloco da COBAL, Bloco da Black Music, Bloco dos Porongos e Bloco da AMAVTRON.

O carnaval é uma manifestação que faz parte da cultura brasileira e também porto-alegrense. Manifestação essa protagonizada pelas pessoas, geradora de convívios públicos e comunitários saudáveis. O estabelecimento de políticas que restringem a realização dessa manifestação acarreta perdas culturais, sociais e econômicas para Porto Alegre, as atividades dos blocos que compreendem ensaios e desfiles públicos movimentam a economia da cidade durante todo o ano. O conjunto de blocos de carnaval de rua que abaixo assinam esta carta, busca reafirmar a importância da cultura do carnaval na cidade, demandar a participação dos blocos na formulação e execução das políticas públicas para este tema e garantir que as apresentações e eventos do carnaval de rua, sejam eles independentes ou não, possam acontecer em Porto Alegre respeitadas as particularidades expressas por cada coletivo.

O carnaval de rua de Porto Alegre sempre existiu, apesar de desvalorizado no centro da cidade por um longo período. Nos últimos quinze anos há um grande movimento de retorno de blocos de carnaval na zona central e, de forma descentralizada, nos bairros da capital, reinventando a narrativa da festa popular como esperado em culturas vivas. Popular, pois em sua gênese é criada, elaborada, organizada e estruturada pelo povo, para o povo, com o povo. Diante desse fenômeno popular orgânico, que dialoga com outros movimentos de ocupação popular dos espaços públicos da cidade, presenciamos também uma crescente apropriação por parte do governo municipal sem a devida consideração da gestão popular desse movimento.

Nesse sentido, o carnaval de Porto Alegre, que desde muito tempo não é visto com sua devida importância pelas políticas públicas, agora também é vítima da perversidade estrutural do governo municipal, sendo paulatinamente vigiado e restringido. Bem sabemos que a atual política do município, muito além do descaso com e abandono do compromisso com Escolas de Samba e Blocos de Carnaval, implementa projeto de perseguição e criminalização dos coletivos e entidades que produzem e mantém viva a cultura popular. O direito à manifestação do carnaval vem sendo roubado e desconfigurado pelas formas de governar que estamos presenciando. Uma política pública que se revela uma política empresarial, transformando direitos em serviços, privatizando os festejos, excluindo protagonistas populares e desconsiderando as subjetividades dos saberes fundamentais do carnaval ao operar de forma racista, classista, machista e lgbtqfóbica.

Nas recentes semanas a Turucutá - Batucada Coletiva Independente foi punida com multa por fazer seu cortejo de carnaval neste ano de 2019. Apesar de atender os trâmites estabelecidos pela Prefeitura, o coletivo não teve sua apresentação autorizada na data tradicionalmente por ele definida, referente a seu aniversário de criação. A resposta da Prefeitura foi baseada em calendário de carnaval estabelecido unilateralmente e que desconsiderou de forma intransigente as particularidades explicitadas pelos diferentes blocos. Este não é um fato isolado. Compõe um conjunto de ações do poder público que reincide sobre os blocos anualmente.

Reiteramos que nossos carnavais fazem parte de um grande movimento que constrói a história e a cultura do país. A partir de nossas indignações com as ações da Prefeitura de Porto Alegre, entendemos como urgente uma reação à ação violenta que busca intimidar e apagar mais uma vez os blocos da cidade. Para tanto, organizamos um ato público que acontecerá no dia 6 de setembro no centro da cidade. Reafirmamos nossa demanda de participação na formulação e execução das políticas públicas para o carnaval de Porto Alegre, bem como, de garantia de que nossos eventos e manifestações não sejam criminalizados.
Sendo assim, reivindicamos:

AO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL
Primeiramente, a suspenção da multa aplicada ao coletivo Turucutá - Batucada Coletiva Independente;
Que se estabeleça um diálogo com os blocos da cidade para pensar o formato do carnaval e da festa na rua, feita para o povo e pelo povo da capital, bem como se respeite as particularidades de cada bloco;

AO PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL
Que se estabeleça um diálogo com os blocos da cidade para pensar o formato do carnaval e da festa na rua, feita para o povo e pelo povo da capital, e para que este diálogo seja amplo e propositivo deve ser feito com todo o legislativo e envolvendo todas as comissões que se relacionam com o tema do debate.

AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Que se estabeleça um diálogo com os blocos da cidade para debater o formato da realização do carnaval e da festa na rua, feita para o povo e pelo povo da capital. Solicitamos que todas as áreas do MP envolvidas com o tema estejam neste momento de dialogo propositivo com os blocos.
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