Demétrio Xavier entre o poncho e o parangolé

“Parangolé é a antiarte por excelência; inclusive pretendo estender o sentido de 'apropriação' às coisas do mundo com que deparo nas ruas, terrenos baldios, campos, o mundo ambiente enfim [...]".

O que teria dito, ou o que terá dito Hélio Oiticica, o criador dos Parangolés, da obra e do ponto de vista do “antipoeta” Nicanor Parra? O que o genial artista (ou antiartista) plástico, que concebeu essas obras que só se realizam na rua, vestidas, movidas ou habitadas por corpos humanos - esses Parangolés que são capa, tenda e bandeira – pensaria dos ponchos da obra de Atahualpa Yupanqui:

“Yo quiero un poncho que tenga el color de los caminos ...”
“Poncho de cuatro colores, cuatro caminos quebrados...”
“Es bandera de niebla su poncho al viento...”
“Y el poncho lo envuelve como una atmósfera aisladora. De la prenda hacia fuera, el mundo infinito y complejo; y poncho adentro, el universo, animando los sentimientos del hombre frente a la noche abierta.”

Por sua vez, qual é o Parangolé desse chileno e desse argentino; como eles responderiam, por exemplo, à frase de Oiticica “seja herói, seja marginal”?

Demétrio Xavier volta ao palco do Parangolé, ao estilo do programa Cantos do Sul da Terra: trazendo os nexos menos percebidos da cultura de nosso pedaço de continente. O carioca Oiticica e seus Parangolés convidam o antipoeta Nicanor Parra, morto em janeiro do ano passado, aos 103 anos – e Atahualpa Yupanqui, nascido em janeiro de 1908, para pensar nessas questões, cevar a palavra e celebrar o canto crioulo.

::::: Dia 11 de janeiro, sábado, às 11h, R$ 15, no Parangolé (Lima e Silva, 240). Reservas pelo 3019-6898 ou 99196-3899 (whats).

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