Arte-advocacia

Arte-advocacia

sábado
19:00
O evento acontecerá daqui 8 meses em uma sábado. Ver minha agenda neste dia

Casa Baka

Rua da República, 139., 90050-320 Porto Alegre

Sobre o evento

No dia 14 de março de 2020, das 19h às 22h, será inaugurada, na Casa Baka, "arte-advocacia", exposição-processo artístico desenvolvido por Ariane Oliveira e Juliana Proenço, contemplada pelo primeiro edital de curadoria realizado pela instituição em 2019. O projeto articula-se em torno de instalações moldadas especificamente ao espaço expositivo, e que oferecem um comentário tragicômico sobre o sistema e as instituições jurídicas do Brasil atual e uma saída afetiva para o absurdo. O público é (democraticamente) convidado a interagir com as obras/reflexões propostas, modificando-as, junto com o tempo, ao longo da exibição.

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SERVIÇO:

Abertura da exposição "arte-advocacia"
14/3 (sábado), 19h a 22h
Local: Casa Baka | Rua da República, 139, Cidade Baixa, Porto Alegre/RS
Visitação: de 14/3 a 23/4, sextas - 16h a 20h | demais dias e horários, mediante agendamento via casabaka.comunicacao@gmail.com ou @casabakaarteecultura
ENTRADA FRANCA

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SOBRE A EXPOSIÇÃO:

Com a edição do AI-5 em dezembro de 1968, suspendeu-se a concessão de habeas corpus "nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular". Chama-se de "advocacia-arte" a atuação de advogados que, trabalhando nas brechas do vasto e (sempre) contraditório tecido legal e discursivo vigentes, propuseram soluções jurídico-criativas para pleitear a liberdade daqueles que o Estado brasileiro negava ter desaparecido. Em "arte-advocacia", debruçamo-nos também sobre o tecido da linguagem do Direito no Brasil, em busca de soluções poético-reflexivas capazes de despir, mesmo fugazmente, o sistema jurídico de sua kafkiana abstração, de sua pompa visual e cenográfica, capazes de engendrar violências concretamente brutais e frequentemente quase-invisíveis.

Este projeto-exposição-processo (artístico) articula-se em torno de instalações inteiramente moldadas aos espaços da Casa Baka, e forjadas por questões como: o que é uma lei? E um habeas corpus? Quem os formula? Quem os decide? Dura lex, sed lex ("a lei é dura, mas é lei"); o ditado latino, ordem de submissão, remonta a tempos imemoriais. Que material garante essa dureza? Qual é o peso da palavra-lei? Como pode a lei endurecer-se sobre corpos tão moles? Não raro, o Direito destitui os corpos de sua subjetividade. “Primeiro pensei em garantir o pão, mas sem alma não se faz pão. Então fui buscar a alma para aprender a fazer o pão. Nesse caminho aprendi a fazer errado e torto. É possível dar uma alma ao Direito? Que afetos são esses que não tem nome?”.

O público é, democraticamente, convidado a ler a mostra e responder suas indagações, interagindo com as obras propostas, de modo a, junto com o tempo de exibição, modificá-las – não são as pessoas e o tempo que modificam as leis? Afirmação recorrente das autoridades jurídicas nos últimos meses é a de que: nada mudou, "as instituições estão funcionando normalmente". Quiçá o grande problema seja a naturalidade com que a linguagem do Direito acolhe palavras inconcebíveis.

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SOBRE AS IDEALIZADORAS:

Ariane Oliveira é mestranda em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS. Graduanda em Artes Visuais pela UFRGS. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela mesma instituição. Artista e pesquisadora, trabalha com agenciamentos coletivos de afetação, através da escuta, do cuidado, da arte e do mapeamento das reivindicações por direitos fundamentais, com abordagem de gênero, pensando as mulheres como multiplicidade étnica e não-binária. Seu fazer artístico versa sobre processos subjetivos de desejo e potência e suas implicações sociais.

Juliana Proenço é mestranda em Artes Visuais, com ênfase em História, Teoria e Crítica de Arte, pela UFRGS. Formou-se em Direito (2014) e em História da Arte (2018), ambos pela UFRGS, e estudou Ciência Política na França (Sciences Po Rennes) entre 2012 e 2013. Realiza pesquisa nos campos de memória, política e relações com o público com ênfase na arte contemporânea. Atua como curadora independente em Porto Alegre, onde também já colaborou com trabalhos artísticos, entre outros projetos.

* Projeto gráfico da exposição por Laura Klein.

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SOBRE A CASA BAKA:

A Casa Baka é um espaço gestionado de forma autônoma pelo curador Diego Groisman com a colaboração de Charlene Cabral. A Casa abriga exposições individuais e coletivas, performances, cursos, oficinas, feiras, encontros, bancas acadêmicas, pequenos shows, entre outras atividades, buscando ser um ponto cultural estratégico e flexível para a atuação de jovens artistas e curadoras/es e para a conexão destes com a comunidade.

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