Arredores da imagem Teia Deleuze e línguas de escrita

Parceria entre o MARGS e a Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o ciclo de palestras Arredores da imagem configura-se como um espaço de circulação e compartilhamento de investigações transdisciplinares em torno da noção de imagem e de suas multiplicidades teóricas e existenciais.

No dia 29 de outubro, nossas convidadas serão Sandra Corazza (PPGEDU/UFRGS) e Paola Zordan (IA/PPGEDU/UFRGS).

Todos os encontros do Arredores da imagem são gratuitos e abertos à comunidade.

Informações: autonomaz@ufrgs.br

***
O amigo da imagem e suas línguas de escrita (pensar a educação com Deleuze: uma questão de imagem)

Uma pesquisa da imagem do pensamento em educação é concebível? Há várias tábuas e uma trama de imagens a conhecer. Essa é a questão da noologia. Tentar dizer com imagens e sair da narratividade; fragmentar os protagonistas e extrair procedimentos; criar novos desenhos, visualidades, falas, biografemáticas, sem-sentidos, que apresentam problemas. Recorte e colagem de elementos díspares. Na prática, um uso do discurso indireto livre. Artificio do intervalo, do hiato, em direção ao método de criação do entre-imagens. Experiência de disjunção inclusiva. Importa não lidar com as imagens no plano da significância; não fazer uma hermenêutica; não produzir uma massa interpretativa. Seria um exagero afirmar que tudo é imagem? Os pesquisadores são centros de indeterminação, que funcionam como obstáculos: para refletir o visível e o enunciável, produzindo imagens. Imagens de pensamento, que rebotam como bumerangues, para criar. Pesquisar é seleção, ação de retirada, delimitação, subtração, sonho, alucinação, embriaguez, dobramento do universo. As imagens são os seres vivos da pesquisa; enquanto os seus dinamismos espaço-temporais são condições de possibilidades para a criação. Se o pesquisador de imagens é um mostrador de vidências, o mundo informe da pesquisa é plástico. Já o tempo da pesquisa é transcendental; pois, não muda; porém, muda tudo o que faz aparecer. Apreensão sensível e corte imóvel na duração, que possibilitam a diferenciação. A noologia pode nos levar a pesquisar em educação: não mais representando, mas engendrando e percorrendo; não descobrindo as formas, mas procurando singularidades; não contemplando, mas nos arrastando no fluxo turbilhonar da aula, da didática e do currículo. O que costuma produzir a pesquisa régia? Dogmatização, representação, recognição. De qualquer modo, tudo aquilo que produzimos vira clichê. A clicheria parece ser a fatalidade humana, demasiadamente humana. Só que o clichê pode ser uma via para o não-clichê. Entre a forma e o informe, o encontro: novas direções de percepção; novos poros; novas sensibilidades. A noologia faz pensar: pensar imagens. Imaginarizar é questão de pesquisa. O ato de criar diferencia imagens na pesquisa. Pesquisa educacional como arte de selecionar, organizar e inventar imagens. O pesquisador-Vidente torna-se Amigo da Imagem. Alguém que define que a sua pesquisa intervém, na docência e na pesquisa; e cria, ela própria, didáticas, currículos e aulas possíveis. Como pesquisadores-professores, sejamos dignos dessas imagens.

***
Sem contar: uma micropolítica gaia educativa e sua teia

Interativa, penetrável, Teia, em andamento desde 1993, é um dispositivo de sensações que movimenta uma série de outras obras, costurando trabalhos artísticos que partilham de concepções relacionais. Junto ao enlaçar dos pontos, nunca contados, o objeto maleável promove fusões entre participantes de encontros em que se pensa o fazer artístico, a criação de superfícies irregulares e os desdobramentos pedagógicos. Sua feitura em crochê, com linhas pretas variáveis, se instala nos espaços de trabalhos educativos ou acadêmicos, intervindo em conferências e palestras, ocupando saguão de eventos, ruas, jardins, instituições culturais e muitas salas de aula. Micropolítica nas bordas do sistema, o projeto afirma uma educação gaia, alegre.

***
Sobre as palestrantes:

Sandra Corazza é licenciada em Filosofia, Mestre e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora Titular da Faculdade de Educação, Departamento de Ensino e Currículo e Programa de Pós-Graduação em Educação. Aposentada desde abril de 2019, atua como Professora Convidada no PPGEDU, Linha de Pesquisa 09 - Filosofias da Diferença em Educação. Pesquisadora de Produtividade 1 B do CNPq (2002-), é Líder dos Grupos de Pesquisa, Diretório do CNPq/Lattes: 1) DIF - Artistagens, Fabulações, Variações (2002 -); 2) Rede de Pesquisa Escrileituras da Diferença em Filosofia-Educação (2015 -). Experimenta escrileituras (escritas-e-leituras) oníricas e poéticas, para a-traduzir a Aula: preparada no Currículo, conjurada na Didática, lutada na Docência.

Paola Zordan é artista visual, professora do Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Líder do grupo de pesquisa ARCOE, Arte, Corpo e EnSigno (CNPq), articula o M.A.L.H. A., Movimento Apaixonando pela Liberação de Humores Artísticos, criando intervenções e performances em espaços públicos e institucionais. Trabalha com escultura social, poéticas e micropolíticas. Doutora e Mestre em Educação pela UFRGS, membro da Linha de Pesquisa Filosofia da Diferença e Educação, desenvolve temas entre historiografia da arte, formação de professores e esquizoanálise. Licenciada em Educação Artística, bacharel em Desenho, foi professora de artes em escolas básicas da rede de ensino em Porto Alegre.

Eventos similares

Pegue um convite